I Am Sober é um aplicativo gratuito que ajuda você a retomar o controle da sua vida.
Os sintomas da abstinência de álcool normalmente duram alguns dias — no máximo, algumas semanas —, mas o verdadeiro desafio são as vontades persistentes de beber. Elas se tornam menos frequentes quanto mais tempo você mantém a sobriedade, mas, quando surgem, podem ser extremamente intensas. Essas vontades são uma das principais causas de uma pessoa ter uma recaída, mas felizmente existem medicamentos aprovados pela FDA para controlar a vontade de beber. São eles Campral, naltrexona e Antabuse.
O Campral é usado com frequência para acalmar o cérebro e aliviar a vontade de beber. Além disso, ajuda com outros sintomas de abstinência, como ansiedade, insônia e até depressão.
O acamprosato age interagindo com duas substâncias químicas do cérebro que afetam as células nervosas: o glutamato, que estimula essas células, e o ácido gama-aminobutírico (GABA), que as inibe. O acamprosato ajuda a equilibrar essas duas substâncias para reduzir o desejo por álcool.
Em pessoas que beberam por muito tempo, e em grande quantidade, essas duas substâncias (GABA e glutamato) ficam desequilibradas. A dependência reconfigura muitas funções do cérebro, incluindo comportamentos deliberados e impulsivos e os sistemas de recompensa de curto e longo prazo. Essas células nervosas são mais uma evidência disso. O acamprosato ajuda a reequilibrar esses sistemas em pessoas que estão se recuperando da dependência de álcool.
Ainda assim, uma desvantagem para algumas pessoas é que o Campral costuma vir em comprimidos e precisa ser tomado três vezes ao dia para controlar a vontade de beber. Alguns médicos prescrevem Campral com naltrexona.
A naltrexona é um dos medicamentos mais controversos para controlar a vontade de beber, porque pode ser prescrita a pessoas que não pararam totalmente de beber e não esperam fazer isso. Ela atua no ciclo de recompensas de curto prazo ao bloquear a percepção de “prazer” do cérebro durante o consumo. A ideia fundamental da naltrexona não é fazer alguém parar de beber ou resistir às vontades, mas desfazer a associação entre álcool e prazer.
A naltrexona costuma ser prescrita a pessoas que bebem em excesso há muito tempo como forma de reduzir gradualmente o consumo de álcool. No melhor dos casos, ela ajuda quem sofre de transtorno por uso de álcool a reconhecer os efeitos físicos negativos da bebida: náusea, dor de cabeça, inchaço, ansiedade e outros. Quando a pessoa não recebe esse retorno de recompensa de curto prazo, ela não continua consumindo álcool.
Infelizmente, muitos médicos não acreditam que a naltrexona funcione e constataram que ela não produz o efeito desejado. Ainda assim, ela é aprovada pela FDA, razão pela qual muitos médicos a prescrevem com Campral.
Atualmente, a naltrexona pode ser tomada de duas formas: ReVia (um comprimido diário) e Vivitrol (uma injeção mensal).
O Antabuse é usado como medicamento de aversão. Ele provoca uma reação extremamente desagradável no corpo quando você consome álcool, fazendo com que passe mal quase imediatamente. Pode causar suor, tremores, náusea, dor de cabeça e vômito. A ideia da aversão é provocar uma resposta pavloviana. O álcool gera uma reação negativa para interromper o sistema de recompensa. A desvantagem é que muitas pessoas acabam associando o efeito negativo ao medicamento, e não ao álcool, e por isso deixam de tomá-lo.
O dissulfiram funciona bem para pessoas que estão comprometidas em alcançar a sobriedade, mas, fora disso, oferece pouco a quem está em recuperação. Dor e mal-estar não são os melhores motivadores para manter um novo hábito. Além disso, o Antabuse não evita a vontade de beber nem os inúmeros sintomas da abstinência de álcool.
Há dois medicamentos que ainda não foram aprovados pela FDA, mas estão sendo estudados. Ambos mostram sinais de reduzir a intensidade da vontade de beber e até dos sintomas mais fortes da abstinência, porém ainda não contam com essa aprovação. Alguns médicos podem prescrevê-los para uso não previsto em bula, e eles também se tornaram populares em outros países. São eles Topamax e Lioresal.
Assim como o Campral, o Topamax atua no GABA e no glutamato e já foi prescrito para epilepsia. Ele ajudou a reduzir os efeitos da abstinência de álcool e a vontade de beber.
Esse medicamento está sendo pesquisado atualmente, especificamente em pessoas que sofrem de cirrose alcoólica. Ainda não há uma conclusão sobre seu possível impacto positivo em pessoas em recuperação, mas as pesquisas continuam avançando.
Dos três medicamentos para controlar a vontade de beber, dois dependem bastante da etapa da recuperação em que a pessoa se encontra. Tanto a naltrexona quanto o Antabuse se baseiam em aversão, o que significa que só funcionam de fato quando a pessoa continua bebendo, contrariando a ideia de alcançar a sobriedade.
Mesmo assim, a naltrexona ainda é prescrita junto com o Campral, pois quanto mais for possível contribuir para reequilibrar as substâncias químicas do cérebro, melhor. Já o Antabuse foi o primeiro medicamento aprovado, ainda na década de 1950, e parece ser um produto de sua época.
Se você quer alcançar a sobriedade, mas está com dificuldade para parar, esses medicamentos são mais eficazes quando combinados com terapia. O medicamento pode aliviar o sofrimento, mas não cura o transtorno. Busque ajuda para sua dependência.
I Am Sober é um aplicativo gratuito que ajuda você a retomar o controle da sua vida.