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Pessoas com dependência de álcool que bebem muito e com frequência têm maior probabilidade de apresentar abstinência quando param de beber. A idade também é um fator, pois o risco de abstinência aumenta com o passar dos anos. A gravidade dos sintomas varia de acordo com a quantidade e a frequência do consumo, há quanto tempo a pessoa bebe e se existe predisposição genética à abstinência de álcool.
Entre as pessoas com dependência de álcool, a maioria começa a apresentar sintomas de abstinência nas primeiras 24 horas após a última bebida. Algumas pessoas têm sintomas apenas seis horas depois da última bebida. Em geral, a abstinência de álcool não dura mais de 4 a 5 dias.
Ao contrário dos estimulantes, o álcool é uma substância depressora. Ele desacelera o funcionamento do cérebro e outras funções corporais. Isso dificulta a concentração em uma tarefa, aumenta o tempo de reação e até torna mais difícil permanecer acordado. Pessoas com transtorno por uso de álcool (TUA) costumam apresentar abstinência porque o sistema nervoso central (SNC) se acostumou a funcionar na presença do álcool. Quando o álcool é retirado do organismo, o cérebro volta a ficar em desequilíbrio, causando sintomas de abstinência.
A abstinência de álcool tem três estágios de efeitos colaterais:
Os sintomas do estágio 1 geralmente surgem nas primeiras 24 horas após a última bebida.
Ansiedade
Agitação
Insônia
Náusea
Dor abdominal
Perda de apetite
Vômitos
Depressão
Confusão
Dificuldade para pensar ou resolver problemas
Tremores
Fadiga
Esses sintomas podem variar de leves a graves; geralmente começam leves e se agravam com o tempo. Eles podem surgir apenas 6 horas após a última bebida.
Além desses sintomas, algumas pessoas apresentam convulsões e alucinações quando param de beber. O risco de convulsões causadas pela abstinência de álcool é maior nas primeiras 24 horas após a interrupção do consumo. Esse é um dos muitos motivos pelos quais é importante fazer a desintoxicação em um centro de tratamento ou pedir a alguém que você ama e em quem confia que acompanhe você durante esse período difícil.
Os sintomas do estágio 2 geralmente são mais graves que os do estágio 1. Costumam começar depois do primeiro dia completo sem beber e durar até três dias.
Frequência cardíaca acelerada
Confusão
Sudorese
Insônia
Náusea
Irritabilidade
Oscilações de humor
Aumento da pressão arterial
Elevação da temperatura corporal
Respiração rápida ou irregular
Algumas pessoas, mas não todas, podem apresentar sintomas mais graves após 1 a 2 dias sem beber.
Alucinações (geralmente visuais ou táteis)
Sensibilidade à luz e ao som
Convulsões
Febre
Confusão grave
Desidratação
Sudorese contínua
Pressão arterial elevada e pulso acelerado persistentes
Agitação e irritabilidade intensa
Tremores intensos.
Em conjunto, esses sintomas podem caracterizar uma condição chamada delirium tremens (DT). Os dois principais elementos do delirium tremens são o delírio e o tremor. Delírio significa uma falha cerebral aguda, caracterizada por confusão intensa e alucinações. Cerca de 3% a 5% das pessoas com transtorno grave por uso de álcool desenvolverão DT se a abstinência não for tratada. O DT sem tratamento é perigoso. Aproximadamente 20% das pessoas que desenvolvem DT morrerão se a condição não for tratada.
Esse é um dos muitos motivos pelos quais pessoas com TUA não devem tentar enfrentar a abstinência de álcool apenas na força de vontade.
Como qualquer pessoa com dependência de álcool pode dizer, a abstinência inicial, embora desgastante, não é o maior desafio. O maior desafio é a luta mental do dia a dia que vem depois.
Quanto ao tratamento, a maioria dos serviços médicos oferece medicamentos para controlar os sintomas de abstinência. Os profissionais podem tratar náusea, desidratação, insônia e outros sintomas. Também podem prescrever benzodiazepínicos para reduzir esses sintomas e prevenir o surgimento de DT. Alguns profissionais prescrevem gabapentina para ajudar com a ansiedade.
Os serviços médicos também usam medicamentos para controlar outros sintomas potencialmente perigosos, como batimentos cardíacos irregulares, respiração acelerada e pressão arterial elevada. Além disso, muitas pessoas com dependência de álcool apresentam desnutrição devido à dependência, por isso recebem suplementos. Em resumo, a supervisão médica é altamente recomendada para evitar recaídas ou sofrimento prolongado. O objetivo é reequilibrar o corpo sem o impacto brusco da abstinência.
Após a abstinência, você precisará de tratamento para a vontade de beber e outros sintomas psiquiátricos, como insônia e ansiedade. Os medicamentos aprovados para tratar o transtorno por uso de álcool são naltrexona, acamprosato e dissulfiram. A naltrexona ajuda pessoas em recuperação ao bloquear os receptores opioides do cérebro associados ao prazer. Assim, reduz o prazer de beber e também parece diminuir a vontade em algumas pessoas. A naltrexona está disponível como uma injeção de ação prolongada (Vivitrol), administrada a cada 4 semanas. Pessoas que usam Vivitrol costumam ter resultados melhores do que aquelas que tomam naltrexona por via oral.
O acamprosato pode reduzir a compulsão por beber, possivelmente por meio da interação com receptores de glutamato no cérebro. Estudos mostram que ele reduz o consumo entre pessoas que recebem tratamento e trabalham ativamente em sua recuperação de outras maneiras.
O dissulfiram faz a pessoa passar mal se beber. Ele só funciona em situações nas quais a pessoa precisa tomar o medicamento, como quando o uso é uma condição para que ela possa morar em casa. Caso contrário, quem quiser beber pode simplesmente parar de tomá-lo para consumir álcool.
Estudos indicam que outros medicamentos também podem ajudar a controlar a vontade de beber. Entre eles estão gabapentina, topiramato, pregabalina, baclofeno e ondansetrona. A combinação de naltrexona e gabapentina pode ser adequada para algumas pessoas. A vareniclina (Chantix) demonstrou reduzir o consumo de álcool entre fumantes.
O ácido valproico é outro medicamento com algumas evidências de benefício para pessoas com dependência de álcool que também têm transtorno bipolar.
Procure tratamento em um serviço que possa oferecer uma combinação de medicamentos e psicoterapia. Os resultados são melhores quando o tratamento é abrangente e integrado.
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