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Um gráfico de frequência cardíaca em linha reta, com opiáceos sobre ele.

Problemas com drogas aumentam enquanto a expectativa de vida cai

Última atualização: 12 de agosto de 2026

Em 2016, houve uma queda na expectativa de vida média e um aumento impressionante nas mortes relacionadas a overdoses de drogas.

Queda na expectativa de vida

Atualmente, uma queda na expectativa de vida é rara, pois controlamos grande parte do nosso ambiente e continuamos avançando em tecnologia e assistência médica — sem falar em quanto os Estados Unidos investem em cuidados de saúde. Muitos profissionais da área chegam a citar a frase de Aubrey de Grey: “A primeira pessoa que viverá até os 150 anos já nasceu”, mesmo que ela seja usada fora de contexto. Em 2013, Aubrey de Grey esclareceu: “provavelmente está viva hoje . Eu estimaria a probabilidade em 90%, embora ela possa ser de apenas 70%” (Forbes).

Essa ideia tem algum fundamento, pois a última queda na expectativa de vida ocorreu em 1993, durante o pior ano da epidemia de AIDS. Vale lembrar que foi uma queda de apenas um ano. No entanto, com os dados de 2016 totalizados e divulgados, observamos dois anos consecutivos de queda na expectativa de vida. Antes disso, a última queda por dois anos seguidos ocorreu de 1962 a 1963, com o surto de gripe.

Em 2015, houve uma redução na expectativa de vida; em 2016, a tendência continuou, enquanto o número de mortes por overdose dobrou. Depois que os dados de 2017 forem consolidados, talvez vejamos um fato excepcional na história dos Estados Unidos: três anos consecutivos de queda na expectativa de vida.

Ainda mais revelador é que a principal causa de morte nos Estados Unidos tem sido a doença cardíaca. Porém, com os avanços nos medicamentos e na assistência médica, esse número de mortes se estabilizou. 2016 foi o primeiro ano em que a redução nas mortes por doença cardíaca deixou de compensar o impacto das mortes por overdose de drogas. Essa é uma das razões pelas quais podemos afirmar que existe uma correlação entre a expectativa de vida e a crise dos opioides. É por isso que a crise dos opioides recebe tanta atenção: há uma correlação marcante entre o aumento das mortes relacionadas a opioides e a queda na expectativa de vida. Além disso, todas as situações anteriores em que houve queda na expectativa de vida foram causadas por uma doença ou um vírus. O fato de estarmos vendo uma redução na expectativa de vida e um aumento das “doenças do desespero” é especialmente preocupante.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) também observam que a maioria das mortes relacionadas a drogas ocorreu entre pessoas jovens e de meia-idade, e que as maiores taxas de mortalidade por drogas foram registradas entre 25 e 54 anos. Embora os opioides representem grande parte — na verdade, a maioria — das mortes, o alcoolismo, o suicídio e as overdoses de outras drogas também aumentaram significativamente.

Epidemia de overdose de opioides

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) informaram que os opioides — incluindo fentanil, heroína e analgésicos prescritos — mataram mais de 42.249 pessoas em 2016 o que supera qualquer ano anteriormente registrado e representa um aumento de 28% em relação a 2015. Em 2016, o número de mortes por overdose de opioides foi cinco vezes maior do que em 1999. Os cinco estados com as maiores taxas de overdose foram Virgínia Ocidental, Ohio, New Hampshire, Pensilvânia e Kentucky, mas houve um aumento significativo nas taxas de mortes por overdose de drogas em 26 estados.

Além do aumento de 2014 para 2015, quando o número de pessoas que morreram por overdose de opiáceos sintéticos chegou a 9.500, de 2015 para 2016 o total de mortes mais do que dobrou, atingindo 19.400. As mortes por heroína aumentaram 20%, e as causadas por outros analgésicos, 14%.

Eric Eyre — vencedor do Prêmio Pulitzer de Reportagem Investigativa em 2017 — foi à Virgínia Ocidental para descobrir a gravidade do problema das drogas. Ele acabou registrando a crise nacional em menor escala. Duas empresas farmacêuticas haviam enviado 20,8 milhões de opioides na última década o que é absurdo, considerando que a pequena cidade da Virgínia Ocidental tem uma população de 2.900 pessoas. Em um período de dez anos, as duas farmácias haviam distribuído 10 milhões de comprimidos de hidrocodona e 10 milhões de comprimidos de oxicodona.

Problemas com drogas e a economia

Os Estados Unidos gastam mais dinheiro com assistência médica do que a maioria dos outros países do mundo. O que a crise dos opioides revela é um sistema falho. O problema não é a falta de recursos, mas o atendimento prestado — ou a ausência dele.

Os opioides são um problema desde a década de 1990, e seu potencial de causar dependência segue uma tendência que remonta a muito antes disso. Primeiro, dizia-se que o ópio não causava dependência e curaria o alcoolismo. Quando isso se mostrou falso, surgiu a morfina, apresentada como cura para a dependência de ópio e, ao mesmo tempo, como uma substância que não causava dependência. Depois vieram a heroína, a metadona e assim por diante.

Há séculos especialistas afirmam que os opiáceos não causam dependência, e as formas de combatê-los têm se tornado cada vez mais problemáticas. Por exemplo, aumentar o preço dos opiáceos não ajuda, pois leva pessoas com dependência a recorrer a drogas de rua mais potentes. Alguns planos de saúde deixaram de cobrir analgésicos mais seguros, mas cobrem opiáceos mais baratos e com maior potencial de dependência.

Vários números foram apresentados sobre o impacto econômico dos opiáceos, mas o Conselho de Assessores Econômicos (CEA) estima que o custo total seja muito maior e afirma que o custo econômico da crise dos opioides em 2015 foi de $504 bilhões.

Em resumo, essa é uma situação crítica que precisa urgentemente de ação e de uma solução.

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