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John Goodman é uma figura conhecida das telas do cinema. Goodman interpretou Dan Conner na série de TV de sucesso Roseanne, deu voz ao simpático Sully na franquia Monstros S.A., da Pixar, e fez inúmeras aparições no cinema, como Walter Sobchak no filme O Grande Lebowski, dos irmãos Coen. Sua filmografia é impressionante, mas uma de suas conquistas mais estimadas é a sobriedade.
Um estranho em uma terra estranha. Quando John Goodman tinha 23 anos, pediu um empréstimo de $1,000 ao irmão mais velho e se mudou de St. Louis, Missouri, para Nova York a fim de perseguir o sonho de se tornar ator. Ele alugou um pequeno apartamento com a namorada perto do distrito teatral de Manhattan. Goodman não tinha agente nem contatos no setor, então acordava, caminhava pela cidade desconhecida e procurava testes de elenco.
O dinheiro era muito curto. John Goodman passava dias sem uma refeição decente, mas persistiu por dois anos — mantendo-se com diversos trabalhos em bares — até que uma agência de publicidade o descobriu e, de repente, ele passou a ter uma fonte de renda estável.
Na década de 1980, ele se tornou conhecido em todo o país ao participar da série Roseanne, exibida no horário nobre durante quase uma década. Desde então, dinheiro deixou de ser um problema; encontrar trabalho também. Mas a ascensão à fama não aconteceu sem consequências negativas.
John Goodman frequentemente virava manchete nos tabloides e já não conseguia andar pelas ruas de Nova York sem ser reconhecido. Era um mundo completamente diferente para ele, e isso contribuiu muito para o início do alcoolismo contra o qual lutaria pelos 30 anos seguintes.
A audiência de Roseanne continuava crescendo enquanto John Goodman e sua família moravam na Califórnia. A presença constante dos paparazzi e aquele ambiente eram debilitantes, e Goodman não queria que sua filha recém-nascida crescesse naquela atmosfera. “Eu estava farto do show business, da publicidade, dos tabloides — estava simplesmente farto”, disse Goodman. “Eu meio que queria tirá-la, tirar minha filha, de lá” (The Guardian).
Por isso, John Goodman se mudou com a família da Califórnia para a Louisiana, mais perto dos pais da esposa e longe da publicidade. Goodman se lembra de ter pensado que aquilo parecia uma boa ideia na época, mas
“houve muitas vezes em que eu poderia ter sucumbido. Não por overdose, mas… bem… por algum infortúnio.”
John Goodman está sóbrio desde 2007, após 30 anos enfrentando a doença. Nem sempre foi fácil: Goodman se lembrou de muitas noites em que sonhava que bebia copos de uísque e dizia a si mesmo:
“Eu penso: ‘Ei, eu não deveria estar fazendo isso.’ Depois penso: ‘Aaah, tudo bem! Você faz isso o tempo todo! Você sempre bebe escondido!’ Então acordo e penso: ‘Não, eu não faço isso.’ No começo, esses sonhos eram preocupantes. Agora são apenas engraçados.”
Ao longo da entrevista, Goodman fala sobre como buscava gratificação imediata não apenas no fundo de um copo, mas também no trabalho. Ele não tinha confiança em si mesmo e vivia preocupado em memorizar suas falas.
“…E eu estava me punindo mais do que qualquer outra coisa e até usando minha energia da maneira errada. É só uma questão de ficar tranquilo com isso e saber que [as falas] vão vir, ter paciência. É o meu transtorno de personalidade que me faz querer tudo agora. Eu preciso ter agora, agora! Sr. Agora! Quer dizer, você não pode fazer isso [no palco]. É um processo.”
Assim como a sobriedade, é um processo, e ele vive um dia de cada vez. Já não fica remoendo arrependimentos, dúvidas e tristezas. Na verdade, afasta-se ativamente desses pensamentos, pois sabe que podem levá-lo por um caminho perigoso. Durante a conversa com a entrevistadora Elizabeth Day, ele se interrompe:
“Por que estou falando sobre isso? Isso não pode acontecer de novo… [é] uma questão química, uma questão do cérebro, [uma] insatisfação geral com tudo. Não quero fazer nada, nada parece certo. Tenho que estar fazendo outra coisa, mas não quero fazer mais nada.”
Quando John Goodman se vê preso em uma depressão, ocupa-se com outras atividades.
“Quero continuar frequentando lugares onde haja reforço positivo, para não chegar a um ponto em que existam gatilhos. Porque não acho que nada neste mundo de Deus conseguiria me impedir se eu realmente quisesse beber.” (Men’s Journal)
John Goodman consegue evitar a maioria desses gatilhos quando está em casa com a esposa e a família. Por isso, quando sai para filmar ou atuar no teatro longe de casa, fica ansioso.
Goodman, como os tabloides gostam de destacar, já foi obeso — em certo momento, chegou perto das 400 libras. Hoje, porém, como uma pessoa em recuperação do alcoolismo, ele passa o tempo no aparelho elíptico ou praticando boxe e, com seis pés de altura, parece pesar cerca de 250 libras; muito diferente do homem com problemas de saúde que já foi.
Na verdade, ele diz que é por isso que gosta do teatro: é uma atividade física que exige que ele se mantenha em forma. O ganho de peso havia desgastado suas articulações de modo irreparável. Agora que passou por duas substituições de joelho e parou de beber, fica claro que sua saúde é uma prioridade.
“Álcool é álcool. Sou alcoólatra. Eu beberia de qualquer jeito. Isso simplesmente faz parte de ser alcoólatra — você encontra qualquer desculpa. Quanto ao estresse, tive uma vida estressante. Tornei-a ainda mais estressante bebendo e usando drogas, e a profissão que escolhi sempre deixa os nervos à flor da pele… havia uma ameaça constante de desemprego. Por algum motivo, eu simplesmente negava o que estava fazendo comigo mesmo. É um milagre que alguém me contratasse, considerando a minha aparência. Eu parecia um ataque cardíaco ambulante.” (Men’s Health)
Talvez a qualidade mais inspiradora de John Goodman seja o fato de ele não fugir do próprio alcoolismo. Ele aceita que isso faz parte dele, mas é uma parte da qual está disposto a abrir mão.
“Abrir mão de uma grande parte de si mesmo não é tão difícil quando você percebe que recebe mais do que deixa para trás.”
John Goodman continua tendo uma carreira de ator prestigiada e imprevisível enquanto leva uma vida sóbria em Nova Orleans com a esposa e os cães.
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