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Steve Tyler fumando antigamente

A dependência controlou Steven Tyler: sua história

Última atualização: 12 de agosto de 2026

“Pouco depois, eu estava caminhando pela praia, caí de joelhos e comecei a chorar porque percebi que tinha ficado sóbrio.” —Steven Tyler, Does the Noise in My Head Bother You?

O Steven Tyler de hoje é muito diferente daquele que alcançou a fama como vocalista do Aerosmith na década de 1970. Tyler, também conhecido como “Demon of Screamin” e metade da dupla “Toxic Twins”, está sóbrio há pouco mais de nove anos. No entanto, a sobriedade não veio de forma fácil nem natural para esse infame astro do rock.

Depois de décadas bebendo muito e abusando de drogas, foram necessárias quatro tentativas para que ele finalmente alcançasse um período significativo de sobriedade. Quando seus companheiros de banda o abordaram pela primeira vez sobre o problema com a dependência, Tyler não os levou a sério. Achava que eram hipócritas e que ficar sóbrio lhe custaria a criatividade. Mal sabia ele, porém, que essa intervenção seria a primeira de muitas que acabariam conduzindo-o à luz da sobriedade.

Antes do Aerosmith

Tyler é criativo, apaixonado e completamente indomável desde o dia em que nasceu. Steven Victor Tallarico nasceu em 26 de março de 1948, em Yonkers, Nova York. Durante a infância, a música era o principal interesse de Tyler.

E não é difícil entender por quê! Seu pai, Victor Tallarico, era pianista clássico profissional. Quando Tyler estava na escola, o pai formou uma banda e permitiu que ele tocasse bateria. Embora fosse principalmente por diversão, essa foi a primeira incursão de Tyler no mundo da música.

Na adolescência, Tyler se tornou um grande fã de rock e idolatrava cantores como Mick Jagger e Keith Richards. Assim como muitas outras pessoas que enfrentam o abuso de substâncias, Tyler começou a usar drogas de forma abusiva ainda muito jovem. Na verdade, foi expulso da Roosevelt High School, em Yonkers, exatamente por esse motivo.

Embora Tyler tenha se formado depois na Quintano's School for Young Professionals, ele não levava os estudos muito a sério. Seu interesse pela música logo se transformou em uma paixão que consumia tudo — e que acabaria levando-o a criar o Aerosmith.

Na adolescência, Tyler integrou uma banda chamada Chain Reaction, que teve um desempenho bastante bom. Ele era o baterista e vocalista de apoio do grupo. Em 1966, a banda lançou uma música chamada “The Sun” / “When I Needed You”, que conseguiu entrar na seleção de uma jukebox. No entanto, o grupo se desfez pouco depois.

Após o fim da Chain Reaction, Tyler começou a viajar para diferentes estados a fim de assistir a apresentações de bandas promissoras. Em 1969, ele estava em New Hampshire vendo uma nova banda chamada Jam Band se apresentar. Tyler ficou absolutamente impressionado com o talento bruto do grupo e sua capacidade de fazer um grande show.

Depois da apresentação, Tyler se apresentou ao baixista Tom Hamilton e ao guitarrista Joe Perry. Os três se tornaram bons amigos e, em 1970, Hamilton e Perry decidiram deixar a Jam Band, mudar-se para Boston e formar um grupo com Tyler.

No início, a banda tinha apenas um baixista, um guitarrista e um vocalista. Porém, o grupo logo recrutou o baterista Joey Kramer e o segundo guitarrista Ray Tabano, que foi substituído por Brad Whitford em 1971. Em seguida, precisavam encontrar um nome para a banda.

Sugestões como “The Hookers” e “Spike Jones” foram consideradas, mas eles acabaram concordando com Aerosmith. O nome oficial da banda foi criado por Kramer depois que ele se inspirou na arte da capa de Aerial Ballet, de Harry Nilsson.

Depois de se formar, o Aerosmith começou a tocar em casas de shows locais de Boston. Assim que entrou na cena musical, a banda começou a conquistar uma base de fãs. Embora ainda pequena, chamou a atenção da equipe de empresários David Krebs e Steve Leber, que concordou em representá-la. Em 1972, o Aerosmith atraiu a atenção dos executivos da Columbia Records, que o contrataram imediatamente.

O primeiro álbum do Aerosmith, “Dream On”, foi lançado em 1973. Embora tenha gerado algum interesse, não chegou a projetar o grupo ao estrelato. Tanto o som singular quanto a relação com a Columbia Records ajudaram a banda a formar sua própria base de fãs.

Os críticos frequentemente comparavam os vocais de Tyler aos do famoso músico Mick Jagger. Embora isso fosse um elogio, a banda ainda vivia à sombra de outros grupos de rock já consolidados. No entanto, o lançamento do terceiro álbum do grupo, em meados da década de 1970, tornou o Aerosmith famoso por mérito próprio.

O estrelato de Tyler

Menos de cinco anos após a estreia do Aerosmith, a banda já esgotava grandes casas de shows em todo o país. Liderava os próprios espetáculos, tocava em festivais de rock e aproveitava tudo o que acompanhava a fama. Os integrantes, especialmente Tyler, tornaram-se símbolos sexuais associados à rebeldia juvenil.

Eles levavam a vida estereotipada dos astros do rock: sexo, drogas e rock'n'roll. O Aerosmith tinha muitas groupies, e Tyler chegou a fazer com que os pais de uma groupie de 16 anos transferissem a ele a tutela legal, para que ela pudesse acompanhá-lo na turnê da banda.

Em 1975, a banda já tinha vários singles de sucesso no topo das paradas. Em 1977, lançou o álbum “Draw the Line”, que entrou na lista dos “100 maiores álbuns de heavy metal de todos os tempos”. O grupo começou a fazer turnês internacionais e conquistou popularidade especialmente no Japão e em países da Europa. A essa altura, já havia criado um som único. Ao ouvir uma música do Aerosmith, você sabia imediatamente que era a banda.

A voz de Tyler não era apenas totalmente singular: a banda também escrevia letras inteligentes, atrevidas e cheias de carisma. Os arranjos instrumentais se destacavam por fundirem diferentes subgêneros do rock. Em vez de se voltar ao punk rock ou se limitar ao rock clássico, o grupo tinha um som cru e metálico.

Não há como negar que os integrantes do Aerosmith alcançaram um sucesso extraordinário no início da carreira. Nos bastidores, porém, eles levavam vidas não tão secretas de abuso constante de drogas. John Perry e Steven Tyler receberam o apelido de “Toxic Twins” por causa do uso excessivo de drogas da dupla. Um parecia alimentar o comportamento do outro e, apesar do sucesso profissional, ambos arrastavam um ao outro para baixo.

O caminho até o fundo do poço

No fim da década de 1970, o Aerosmith começava a se desintegrar. Joe Perry deixou a banda, separando os “Toxic Twins” para seguir carreira solo. Embora isso tenha surpreendido muita gente, pois Perry e Tyler pareciam inseparáveis, a hostilidade entre os integrantes vinha crescendo. O uso de drogas apenas colocou mais lenha na fogueira.

De 1980 até hoje, o Aerosmith se desfez e se reuniu novamente mais vezes do que a maioria consegue contar. Atualmente, porém, os integrantes mantêm uma relação cordial, ainda que não propriamente amistosa. O principal motivo é a sobriedade da maior parte deles. Ainda assim, o caminho até a recuperação não foi fácil.

No auge do Aerosmith, Perry usava diariamente uma enorme variedade de substâncias. Em suas memórias, Does the Noise in My Head Bother You?, lançadas poucos anos atrás, Perry apresentou uma lista detalhada. Entre as drogas que usava estavam maconha, cocaína, OxyContin, heroína, metanfetamina, metadona e LSD. Durante a década de 1980, Tyler disse que nunca conseguia ficar drogado o bastante. Hoje,

Tyler estima ter gastado facilmente $6 milhões em drogas ao longo da vida. Em suas memórias, ele também contou como seu uso de drogas — principalmente de cocaína — acabou se tornando obsessivo e compulsivo:

“E a cocaína! Os médicos diziam que ela não causava dependência... que criava hábito. Naquela época, eles não sabiam que, depois de certo dia, a droga acabaria dando uma guinada brusca. O pó, antes a alma da festa, virou motivo de medo e aversão, fonte de comportamentos dissimulados e secretos e a mãe de todas as mentiras. ‘O quê, eu? Não, não tenho nada!’ ‘Foi mal, acabou, que droga, cara!’ ‘Não. Ei, preciso ir ao banheiro.’ E foi daí que surgiu o banheiro do rock 'n' roll. Foi quando as pessoas começaram a guardar a coisa em dois bolsos — você tinha o papelote de cortesia para compartilhar e a sua reserva. Foi assim que o pecado e a dúvida entraram em nosso mundo feliz.” —Steven Tyler, Does the Noise in My Head Bother You?

Em uma entrevista recente, ele relembrou como eram os momentos antes dos shows do Aerosmith. Muitas vezes, ficava quase em coma por causa da enorme quantidade de substâncias que havia usado durante o dia. A equipe de gestão ficava desesperada, pois ele deveria subir ao palco diante de dezenas de milhares de pessoas para tocar com a banda. Mesmo assim, todas as vezes Tyler conseguia recuperar a energia ao entrar no palco.

Ele atribui o fenômeno à energia transmitida pelo público. Houve, porém, uma ocasião específica em que Tyler caiu do palco no meio do show devido ao estado de intoxicação e quebrou alguns ossos. Em certo momento, Tyler disse:

“Encontrei certas drogas que amava e não parei, a ponto de magoar meus filhos, prejudicar minha vida, ferir minha família e prejudicar minha banda. Chegou um momento em que eu não tinha mais banda e não me importava.”

Quando usava substâncias, Tyler era instável e imprevisível. Às vezes era tomado pela criatividade; em outras, ficava eufórico por causa das drogas e dos elogios da plateia; e, em outras ocasiões, sentia simplesmente muita raiva.

Por fim, os companheiros de banda deram um ultimato a Tyler: ir para a reabilitação ou deixar o grupo. Isso bastou para lhe dar um primeiro choque de realidade. Embora não tenha sido o acontecimento que o fez alcançar e manter a sobriedade, apresentou a ele outra forma de viver.

Tyler fez várias tentativas de ficar sóbrio entre 1980 e 2010. Internou-se em alguns centros de reabilitação, participou de reuniões de 12 passos e contou com um grupo solidário de amigos e familiares ao seu lado. Infelizmente, as recaídas foram comuns nesse período. Diversos gatilhos levaram Tyler a recair, desde o fim do relacionamento com uma namorada até a dependência de analgésicos prescritos após uma cirurgia.

Antes de uma recaída em 2006, ele havia passado 12 anos em sobriedade. Tyler, porém, insiste que o importante não é quantas vezes foi à reabilitação nem quantas vezes recaiu. Tudo se resume à qualidade da sobriedade que ele tem hoje.

Vivendo sóbrio

Steven Tyler precisou de quatro tentativas de sobriedade para acumular os nove anos que tem hoje. Embora não se arrependa do uso de drogas — já que pessoas com dependência procuram não lamentar o passado —, ele não pretende abrir mão da sobriedade desta vez. Se Tyler voltasse a beber ou usar drogas, colocaria em risco tudo o que conquistou.

Nas palavras dele:

“Tenho uma banda que continua unida, os caras ainda estão vivos, todos estão saudáveis”, disse Tyler. “Tocamos melhor do que há 50 anos. Quero dizer, havia uma certa crueza quando tocávamos em clubes e estávamos todos f* didos. Claro, eu entendo. Mas a banda continua unida e ainda é muito procurada. As pessoas ainda nos querem por mais de um milhão de dólares por noite. E é isso que está em risco se eu voltar a usar. E meus filhos. Meus gatos. Meus cachorros. Minha linda casa do c** lho em Maui. Minha namorada. Tudo está em risco.”

Hoje, aos 71 anos, Tyler está feliz, saudável e ainda apaixonado por rock n'roll. Na verdade, o Aerosmith atualmente mantém uma residência no MGM Resorts, em Las Vegas. A icônica banda de rock será a atração principal do famoso cassino até o fim de 2019. Embora Tyler leve hoje um estilo de vida sóbrio e sem substâncias, houve uma época em que não acreditava que isso seria possível.

Criatividade e dependência

Há anos se discute a relação entre criatividade e dependência. Na verdade, essa era a principal preocupação de Tyler antes de ficar sóbrio:

“Quando você está drogado, cria algo do nada e o mundo inteiro canta a porra da música que você escreveu chapado, é difícil pensar que ficar drogado não foi a razão de tudo aquilo ter acontecido.”

É impossível negar que a grande maioria dos atores, músicos, artistas e autores já vivenciou o abuso de drogas. Steven Tyler está longe de ser a primeira pessoa criativa a se tornar vítima da dependência. Há muitas teorias para explicar isso.

Alguns acreditam que as celebridades simplesmente sejam mais propensas à dependência porque têm tanto acesso fácil quanto dinheiro suficiente para comprar drogas caras. Outros pensam que muitas pessoas criativas têm algum tipo de transtorno mental, como depressão, ansiedade ou transtorno bipolar.

Estudos demonstraram uma correlação positiva entre sofrer de uma doença mental e a probabilidade de abusar de drogas. No entanto, algumas pessoas acreditam que existe uma ligação inerente entre criatividade e dependência.

Alguns estudos científicos foram realizados sobre o assunto, mas se concentraram principalmente em saber se as substâncias aumentam a criatividade, e não se pessoas criativas têm maior probabilidade de desenvolver dependência. Embora muitos artistas usem essa ideia como desculpa para consumir drogas, outros realmente acreditam nela. Tyler inicialmente pensava que a sobriedade ameaçaria sua criatividade. Depois de permanecer sóbrio por alguns anos, porém, percebeu que não era assim:

“Toda a magia que você achava que funcionava quando estava drogado aparece quando fica sóbrio. Você percebe que ela sempre esteve ali, e seu medo desaparece.”

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